Nos primórdios deste blog, eu escrevia muito sobre a minha experiência enquanto pai. À medida que os nossos filhos foram crescendo, comecei a sentir a necessidade de proteger a sua privacidade e acabei por parar.
Num destes dias, em Tormes, a caminhar pela quinta, dando espaço ao aborrecimento, apercebi-me que tinha substituído as crónicas sobre a infância por ficção sobre a adolescência. Num movimento inconsciente, continuara a observar o desenvolvimento dos meus filhos, mas recorrendo à ficção.
Reparem, Augusta é um romance sobre uma adolescente a tentar compreender o suicídio.
Deus é Imaginação pretende ser um romance sobre um adolescente em luto que utiliza a imaginação para confrontar o legado da sua linhagem masculina.
O primeiro foi escrito para adultos, o segundo está a ser escrito para adolescentes. Escrevo-o com muito respeito por eles. Nunca me esqueço da acusação social feita a toda uma geração, tinha eu treze anos. Geração Rasca, escreveu-se nos jornais sobre os jovens. Não existem gerações rascas, existe sim uma incompreensão histórica entre as gerações mais velhas e as mais novas.
Escrevo sobre adolescentes para tentar compreendê-los, à espera que me corrijam e me ensinem a vê-los com os olhos certos (como diria o Duarte Carvalho). Estou ansioso para poder partilhar o romance com os meus filhos, os meus leitores-alfa.
Se também estiverem curiosos, voltem amanhã. Irei publicar o primeiro capítulo completo aqui no blog. E comentem. Faz toda a diferença para o adolescente inseguro que existe em mim deste lado.

