— Tens que estar na estação de Aregos às vinte e cinquenta de sexta-feira — disse-me a Carla na segunda-feira passada. — Vão chamar o teu nome para te entregarem uma encomenda. — És tu a encomenda? — perguntei eu. Passei a semana toda a tentar descobrir como raio é que eu ia receber umaContinue a ler “17. Encomenda”
Author Archives: Rodrigo
16. Limoeiro
“Isso não vai dar em nada”, e não sei se estás a falar do meu rebento de limoeiro, se da minha residência literária. “É porque é de supermercado”, e a dúvida mantém-se. “Precisas de um limão da terra”, acredito,mas gosto do meu rebentoque fui eu quegerminei,plantei ecuideitodos os dias. Talvez nunca chegue a dar limões,masContinue a ler “16. Limoeiro”
15. Margarida
Querida Margarida. Gostei tanto de ler o teu diário que decidi responder ao teu desafio final. Sou o Rodrigo e a minha idade varia com as horas do dia. De manhã parece que ainda tenho vinte e cinco anos. Depois das dez da noite envelheço para os sessenta. Na verdade, tenho quarenta e cinco. GostoContinue a ler “15. Margarida”
14. Parte 4
Hoje terminei a parte quatro do meu romance Deus é Imaginação. Acabou por ficar com catorze capítulos, menos três do que eu tinha planeado antes de vir para Tormes. No final da semana passada, dei uma guinada, meti o enredo por uma viela desconhecida e acabei a escrever capítulos muito diferentes do que tinha imaginado.Continue a ler “14. Parte 4”
13. Pormenores
12. Refeições
Quantos dias sozinho em Tormes são precisos para começar a deprimir? Perguntava eu nas semanas antes da minha partida. Ainda não sei. Passados doze dias, a depressão não chegou. Chegaram as saudades. Entraram como uma chuva torrencial durante o primeiro momento em que me permiti ver um filme. Aqui permanecem junto do meu peito. NãoContinue a ler “12. Refeições”
11. Pinhas
— Mas fez alguma promessa? — pergunta-me o pescador, ao mesmo tempo que passa um guarda-chuva ao seu colega. Estamos na margem do Douro, junto da Estação de Aregos e eu acabei de lhe dizer que ainda tenho uma hora e meia de caminho a subir. — É o Caminho de Jacinto — digo, pensandoContinue a ler “11. Pinhas”
10. Cerejas II
Fico sentado de frente para a lareira da cozinha da fundação. É tão grande que tem uma janela lá dentro. O tampo da mesa é feito de um único bloco de xisto maciço com quase uma régua-quitoso de espessura. Estou contente de não estar a almoçar sozinho n’A Minha Casinha. Servem-me um caldo que meContinue a ler “10. Cerejas II”
9. Pássaros
É o terceiro dia em que acordo às cinco da manhã com o chilrear dos pássaros. Na diagonal, claro. Apesar dos quarenta e cinco centímetros de espessura granítica, parece que estão dentro do quarto. Viro-me de lado e espero que se calem. Mas eles persistem. Soam animados como velhos amigos que se juntam ao almoçoContinue a ler “9. Pássaros”
8. Diagonal
O inconsciente a recorrer a Pitágoras. Um cateto: noventa e seis centímetros, o outro: cento e oitenta e um. O meu colchão de maioque como todos os colchõesé dois triângulos retângulos. O inconsciente a fazera raiz quadrada dos quadrados e a obter a hipotenusa— a diagonal do meu colchão.Duzentos e cinco centímetros,onde cabem os meusContinue a ler “8. Diagonal”
