Um jovem chegou a uma aldeia e proclamou: — Vinde admirar o coração mais bonito do mundo. O jovem sorria orgulhoso da sua perfeição. Aos poucos juntou-se uma multidão. Um velho teso chegou-se à frente e desafiou-o: — Nunca trocaria o meu coração pelo teu. — Que disparate dizes, velho — respondeu o jovem, comContinue a ler “31. Fim”
Category Archives: Cochichos de Tormes
30. Capítulo 1
(Segunda versão do capítulo 1 de Deus é Imaginação, em revisão) Quarta-feira Estou sentado no lugar do morto. Tenho as mãos debaixo das pernas. O cinto de segurança apertado. Pronto para voltar para casa. Não fico aqui, nem que me paguem. A janela está entreaberta, menos que um dedo dos meus. O suficiente para ouvirContinue a ler “30. Capítulo 1”
29. Adolescência
Nos primórdios deste blog, eu escrevia muito sobre a minha experiência enquanto pai. À medida que os nossos filhos foram crescendo, comecei a sentir a necessidade de proteger a sua privacidade e acabei por parar. Num destes dias, em Tormes, a caminhar pela quinta, dando espaço ao aborrecimento, apercebi-me que tinha substituído as crónicas sobreContinue a ler “29. Adolescência”
28. Reflexos
27. Disparates
Hoje visitei o Pinhão e ao regressar recordei-me de um dos maiores disparates da minha adolescência. Saí de casa pelas sete e meia da manhã e meti-me no Caminho de Jacinto. São 3,4km até à Estação de Aregos. Começava bem o dia. À medida que o comboio ia subindo o Douro, a paisagem foi seContinue a ler “27. Disparates”
26. Dualidade
25. Mergulho
“Finalmente”, escreveu o Leonardo no nosso grupo de família quando partilhei esta fotografia. “Exato!”, respondi eu de volta. Já tinha dito que não saía daqui sem dar um mergulho no Douro. Olhe que a água é muito fria. Cuidado que fica fundo muito depressa. Fui ouvindo dizer, sempre que partilhava que queria dar um mergulhoContinue a ler “25. Mergulho”
24. Finais
Nunca me tinha acontecido. Estou a escrever as últimas linhas do clímax e começam a brotar lágrimas dos meus olhos. E eu não sou de lágrima fácil. Tive um treino de contenção emocional durante oito anos no Colégio Militar. No meu dia a dia, o choro converte-se numa leve pressão na ponta do nariz queContinue a ler “24. Finais”
23. Interior
Tormes entranha-se de mansinho. Esgueira-se pelo valeprometendo, como Zé Fernandes,a distância certa da Civilização. Deixa-se apanhar e não é anhosão favas e ervilhas tortasfuncho, limonete e hortelã. E cerejasquando chego equando saio e quando estou dentro. Desfolha-se.Palavras que se podem caminhar.Personagens que são pessoas. Museu a virar Casa. É serrana rija,não é sereia cantadora. EContinue a ler “23. Interior”
22. Afeto
Escrevo a palavra.Não tenho outro meiode atravessar este hiato. Não sei quem é,nem quantos mundos,nem quantas vidasnos distanciam. Cada entendimentoé um mistério.Que o seu sejaafetuoso do meu. Meia ponte feita da minha palavra.Meia ponte feita do seu olharDuas metades à distância de uma pergunta. É o último acrescento e é para si.Podemos tratar-nos por tu?
