Quantos dias sozinho em Tormes são precisos para começar a deprimir? Perguntava eu nas semanas antes da minha partida. Ainda não sei. Passados doze dias, a depressão não chegou. Chegaram as saudades. Entraram como uma chuva torrencial durante o primeiro momento em que me permiti ver um filme. Aqui permanecem junto do meu peito. NãoContinue a ler “12. Refeições”
Category Archives: Cochichos de Tormes
11. Pinhas
— Mas fez alguma promessa? — pergunta-me o pescador, ao mesmo tempo que passa um guarda-chuva ao seu colega. Estamos na margem do Douro, junto da Estação de Aregos e eu acabei de lhe dizer que ainda tenho uma hora e meia de caminho a subir. — É o Caminho de Jacinto — digo, pensandoContinue a ler “11. Pinhas”
10. Cerejas II
Fico sentado de frente para a lareira da cozinha da fundação. É tão grande que tem uma janela lá dentro. O tampo da mesa é feito de um único bloco de xisto maciço com quase uma régua-quitoso de espessura. Estou contente de não estar a almoçar sozinho n’A Minha Casinha. Servem-me um caldo que meContinue a ler “10. Cerejas II”
9. Pássaros
É o terceiro dia em que acordo às cinco da manhã com o chilrear dos pássaros. Na diagonal, claro. Apesar dos quarenta e cinco centímetros de espessura granítica, parece que estão dentro do quarto. Viro-me de lado e espero que se calem. Mas eles persistem. Soam animados como velhos amigos que se juntam ao almoçoContinue a ler “9. Pássaros”
8. Diagonal
O inconsciente a recorrer a Pitágoras. Um cateto: noventa e seis centímetros, o outro: cento e oitenta e um. O meu colchão de maioque como todos os colchõesé dois triângulos retângulos. O inconsciente a fazera raiz quadrada dos quadrados e a obter a hipotenusa— a diagonal do meu colchão.Duzentos e cinco centímetros,onde cabem os meusContinue a ler “8. Diagonal”
7. Amanhecer
6. Cerejas
Em maio comem-se as cerejas ao borralho, ensina-me a Rosa enquanto planta pés de flores no terreno da Fundação. E assim tem sido. As cerejas colho-as de uma cerejeira nas traseiras da minha casa. O borralho, no meu caso, são os aquecedores que tenho acesos no quarto e no escritório para quebrar este frio queContinue a ler “6. Cerejas”
5. Generosidade
Fecho o portátil e saio em busca de hortelã. Hoje vou cozinhar um arroz de favas. Fiquei com ganas depois de ouvir a descrição da refeição que foi servida ao Eça de Queiroz quando chegou pela primeira vez a Tormes. A carta a avisar que vinha conhecer a quinta que a sua esposa tinha acabadoContinue a ler “5. Generosidade”
4. Avançar
São sete da manhã e já estou a escrever. As primeiras palavras são sempre lixo, as engrenagens da prosa demoram a aquecer, mas eu avanço. Sei que nesta fase o importante é avançar, levar a história até ao fim e por isso evito andar para trás e editar. Avanço. A cada hora, paro e vouContinue a ler “4. Avançar”
3. Começa a aventura
Chegado e instalado, a aventura começou. Antes de me sentar no meu cantinho a escrever, onde estou rodeado de paredes com quarenta e cinco centímetros de espessura granítica (medidos com uma régua de plástico com uma inscrição em letras verdes “com quitoso… …era uma vez um piolho”, que alguém aqui deixou), fui levar a minhaContinue a ler “3. Começa a aventura”
