Augusta, o meu primeiro romance, está disponível 🚀

A primeira peça de ficção que escrevi, por minha vontade e não por instrução de um professor, terá sido um pequeno conto sobre como o Snoopy se tornou amigo do Woodstock. Eu tinha nove anos e decidi criar um jornal dedicado ao Snoopy para oferecer à família no Natal. Porquê o Snoopy? Não sei. A história é pequena e linear, mas é ternurenta e tornou-se um tesouro que guardo no meu baú das memórias.

Não sei o que me terá atraído para as palavras desde tão cedo. Talvez tenham sido os livros que gostava de devorar no canto da minha timidez. Ou, talvez, tenha sido a admiração por um texto que o meu irmão Pedro publicou no DN Jovem. Ou, ainda, a paixão da minha mãe pela área das letras. Provavelmente, foi isso tudo junto. A verdade é que nunca mais parei de escrever ficção.

Durante muito tempo ambicionei escrever um romance. Queria proporcionar às pessoas o mesmo que tantos livros que eu admirava me tinham proporcionado. Queria que se apaixonassem pelas minhas personagens, que sofressem e se alegrassem com elas. Queria criar mundos que outras pessoas também pudessem partilhar. Nunca deixei de tentar, mas descobri que é muito mais difícil do que eu imaginava. Quantas vezes, não me pus a escrever, cheio de húbris, para rapidamente desistir por me sentir perdido, incapaz ou sem tempo.

O nascimento deste blog foi uma reviravolta na história da minha escrita. De repente comecei a escrever sobre mim e sobre os meus pensamentos e emoções. Até esse momento nunca o tinha feito. Antes só escrevia ficção. As boas críticas que recebi motivaram-me a escrever o livro Tornar-me Pai. A minha escrita tinha ganho outra qualidade e fluidez. Foi num dia do Verão de 2019 que, sem saber muito bem onde me estava a meter, comecei a escrever o romance que se viria a chamar Augusta e que está a partir de hoje disponível em papel ou ebook. Se o quiseres ir já comprar, força 🙂 O resto da partilha espera por ti.

A semente que deu origem a Augusta nasceu com o suicídio de um amigo. Foi um momento marcante na minha vida que me levou a bastante desorganização mental e emocional. Quando o funeral terminou, tudo o que eu estava a sentir foi expresso numa pergunta que me saiu numa voz trémula seguida de uma catarse de choro. “E agora o que fazemos?” Sentia-me muito perdido, sem respostas nem estrutura para dar um sentido ao que tinha acontecido. As primeiras palavras de Augusta nasceram dessa confusão, desse sofrimento, de não querer acreditar.

Quando me sentei para escrever o que a alma precisava de dizer, descobri que a parte de mim que precisava de se expressar era adolescente. Essa parte queria misturar a crueza da realidade com a magia da fantasia. E foi assim que nas primeiras versões, Augusta se chamava Nereida e era uma tágide. O primeiro título que a história teve foi: O Cheiro do Fim. Para além de Nereida havia um gato que habitava um mundo de fantasia e que partia seguindo o cheiro do medo até encontrar um Farol que existia no Fim.

Partilho estas ideias, sem medo de te estragar a leitura do romance. A versão final é completamente diferente. E apesar de Augusta ser uma adolescente que vive em Lisboa, a história não foi escrita para adolescentes. Foi escrita para adultos que se esqueceram que há partes de si que são adolescentes.

Quando terminei a primeira versão completa dei-a a ler ao meu bom amigo Diogo Girão, que com toda a sua honestidade intelectual me disse que não tinha compreendido metade do livro. Conversámos muito e eu percebi que ele tinha razão. Então deitei quase tudo fora e comecei do início. Quando acabei de reescrever o livro pela segunda vez, outro bom amigo, o Ricardo Lapão, disse-me de uma forma muito assertiva: “Porque é que não escreves simplesmente aquilo que queres dizer?” Que é como quem diz, deixa-te de floreados e vai direto ao assunto. Voltei a reescrever partes de Augusta, adicionei alguns capítulos e cheguei ao momento em que senti finalmente: é isto!

Este processo durou três anos, com uma pandemia pelo meio. Levantava-me de madrugada para escrever antes da família acordar, mas isso não chegava. Então, alterei o meu horário de trabalho para ter um dia por semana só dedicado a escrever. Durante três anos, andei aos trambolhões com as minhas emoções, nos picos da euforia e nos abismos do desespero, até que cheguei finalmente ao fim e Augusta nasceu.

Se a história terminasse aqui, ninguém leria Augusta, por isso comecei a procurar uma editora. O meu sonho era ter alguém experiente com quem trabalhar a minha prosa. Infelizmente não consegui. Eu já sabia que publicar um primeiro romance de um autor desconhecido era verdadeiramente ambicioso. E foi exatamente essa a mensagem que recebi: o manuscrito tem qualidade, a história é original, mas é uma obra muito difícil de comercializar. Perante esta mensagem que me chegou de várias frentes, pensei em guardar o livro na gaveta e investir as minhas energias no próximo projeto. Mas não fui capaz de deixar Augusta a ganhar pó. E é assim que chegamos ao dia de hoje.

É com muita alegria que, no dia em que celebro 43 anos de existência, publico o meu primeiro romance. O Snoopy deu lugar a Augusta e a linearidade da perspetiva infantil evoluiu para a complexidade do mundo interno da vida adulta.

Gostavas de ler o livro ou gostavas de o oferecer a alguém, compra-o na Amazon. Tens a versão em papel e ebook.


Testemunhos de quem já leu o livro:

Ana Almeida
Virgínia Rodrigues


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  1. Ou podes, depois de leres o livro, deixar uma review no site da Amazon ou no site Goodreads. Isso seria 5 estrelas 🙂

Muito, muito obrigado por teres chegado até aqui. Boas leituras.

Rodrigo

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