A Estrela de Natal

Começou por ser apenas uma receita tirada de uma revista de culinária. Uma lista de ingredientes, farinha, açúcar, manteiga, nozes… Um conjunto de instruções, amassar, dispôr em camadas, levar ao forno… Um bolo saboroso, mas só isso, um bolo saboroso. A Romi transformou-o em muito, muito mais. A primeira vez que provei a Estrela deContinue a ler “A Estrela de Natal”

O significado da vida

Eu tinha sete anos quando um dia, fechado na casa-de-banho grande (aquela cuja banheira não estava atafulhada de tralha), me surgiu uma pergunta que nunca mais me largaria ao longo da vida: como é não existir? A minha mente inexperiente escorregou na pergunta e dei por mim a cair aos trambolhões para um abismo escuroContinue a ler “O significado da vida”

Entre escritas e reescritas

Entre escritas e reescritas do romance que está a ser moído neste cérebro-coração-barriga-e-dedos, surgiram vários textos pseudo-poéticos. São pensamentos prosaicos sobre os tempos modernos que andamos a viver. Para todos os que gostam de me ler, aqui têm cinco textos diferentes do habitual. São como flores do nosso cato do luar – floresceram quando menosContinue a ler “Entre escritas e reescritas”

Anseio pelo dia em que nos voltaremos a abraçar

Há muito tempo que não acordava sem vontade de sair da cama. Da cozinha chegava o som dos pratos a serem colocados na mesa. Alguém estava a tomar duche. Parte de mim queria amuar, dizia, ok, já chega, está bom, não quero mais… As rodas dentadas da nova rotina familiar estavam em marcha e aContinue a ler “Anseio pelo dia em que nos voltaremos a abraçar”

Olha, eu a lançar um livro

Sentei-me sozinho no palco, microfone do lado esquerdo, três exemplares e uma cábula do lado direito. Estava nervoso. Senti necessidade de explicar porque é que estava sozinho. Queria ter uma conversa com quem tinha vindo, olhá-los de frente, não queria que assistissem a um diálogo. Dei as boas-vindas e apercebi-me de como ainda estávamos distantes,Continue a ler “Olha, eu a lançar um livro”

Sem chuva, não há arco-íris

Estou em Santa Cruz – essa praia no oeste agreste português onde o inverno passa o verão. Eu e o meu filho vamos a caminhar no meio da estrada, o que só é possível fazer nas terras onde os peões ainda são a classe dominante, quando ele afirma “Papá, eu nunca te vi chorar”. FiqueiContinue a ler “Sem chuva, não há arco-íris”

Rejeitar para não ser rejeitado

Estou sentado à mesa e sou o único que não vai comer. Estamos num daqueles restaurantes tipicamente lisboetas que se mantêm resilientes face à onda trendy/gourmet/veggie/michelin-wannabe que invadiu a cidade. São as toalhas de papel, as facas sem serrilha, os cadáveres dos peixes expostos à janela, o menu onde o bitoque é rei e osContinue a ler “Rejeitar para não ser rejeitado”

És extrovertido ou introvertido?

Assim que desligo as luzes do carro alugado volto a surpreender-me com o negrume da noite. Estou há mais de quarenta e oito horas na ilha, mas ainda não consegui sossegar o coração. Está tudo bem – tento acalmar-me tal como, em tempos, tentava sossegar a minha filha perante a escuridão do seu quarto aoContinue a ler “És extrovertido ou introvertido?”

Qual é o sentido da vida?

Assim que a minha filha fica entregue na escola, o meu coração acelera ligeiramente. A alteração é tão subtil que os outros pais e crianças que me rodeiam não têm forma de perceber a ligeira excitação que se apodera do meu corpo. Tal como um cão de Pavlov, o corpo antecipa o momento que seContinue a ler “Qual é o sentido da vida?”

Um ano sem açúcar

Há um ano atrás, a meio do jantar da passagem de ano, dei por mim a declarar uma ideia ousada que andava a congeminar dentro de mim há algum tempo. Iria passar um ano sem comer açúcar adicionado. Entenda-se, não iria comer nada no qual tivesse sido adicionado açúcar, fosse de cana, de coco, fossemContinue a ler “Um ano sem açúcar”