Querida Margarida.
Gostei tanto de ler o teu diário que decidi responder ao teu desafio final.
Sou o Rodrigo e a minha idade varia com as horas do dia. De manhã parece que ainda tenho vinte e cinco anos. Depois das dez da noite envelheço para os sessenta. Na verdade, tenho quarenta e cinco.
Gosto de fazer muitas coisas, mas as minhas preferidas são: viajar em família, caminhar com a Carla, escrever histórias de aventura e dançar (como tu).
Tenho vários sonhos. Vou partilhar três contigo. Sonho um dia ter uma casa na Ilha do Pico onde possa ler embalado pelo mar. Sonho escrever um romance que mova as emoções de muitas pessoas. Sonho um dia ser avô.
O que quero ser quando crescer? Se calhar olhavas para mim e pensavas que já sou muito crescido, mas eu sinto tantas vezes que ainda tenho tanto para crescer. Quando era mais jovem queria vir a ser coisas, agora penso que quando crescer quero ser paciente, ter um sorriso fácil e ser capaz de alegrar quem está em sofrimento.
Também te quero agradecer por teres escrito sobre a tua doença, a Artrite Idiopática Juvenil. Não consigo imaginar o que será crescer assim, com dores e a ver que “o meu sonho estava a escapar por entre os meus dedos”. Obrigado por me dares a conhecer a tua realidade. Concordo com o teu professor Duarte. Não há uma forma de dançar. O movimento de cada corpo é único e o importante é o que sentimos quando nos movemos. Por isso, dança!
Fico feliz por saber que não vais parar de sonhar. Dorme bem. Beijinhos
(escrito em resposta ao livro Contos D’Amor de Joana Cardoso que terminei de ler ontem à noite)

