14. Parte 4

Hoje terminei a parte quatro do meu romance Deus é Imaginação. Acabou por ficar com catorze capítulos, menos três do que eu tinha planeado antes de vir para Tormes. No final da semana passada, dei uma guinada, meti o enredo por uma viela desconhecida e acabei a escrever capítulos muito diferentes do que tinha imaginado. Foi como esticar o braço e encontrar cerejas maduras. Maravilhoso.

Gosto de planear o que vou escrever para depois me perder. É como quando vou correr aqui em Tormes. Sei que no final tenho que chegar a casa, mas pelo caminho vou deixando o corpo seguir o seu instinto. Claro que há problemas. Aqui são os cães que aparecem a ladrar e que eu tenho medo que me mordam as canelas. Na escrita são as incoerências que vou criando à medida que improviso. Mas o que é que se há de fazer? Eu estou a escrever um adolescente. E das incoerências vive a adolescência. Há que ter paciência.

Ontem estava muito indeciso se devia ou não terminar a parte quatro num cliffhanger. Era uma escolha entre terminar no capítulo 55. Estrondo ou passar esse capítulo para o início da parte seguinte (a última). Em conversa com a minha consultora Sofia (a minha filha) fui aconselhado a terminar em suspense, desde que quando lhe desse para ler já tivesse o capítulo seguinte escrito. Assim fiz. E acho que ela tinha razão. Ficou fixe.

Entretanto o capítulo seguinte 56. Cerberus está escrito, Sofia. Por isso nada temas.

Uma curva num caminho de Tormes

One thought on “14. Parte 4”

  1. Eheheheh, claro que tinha razão.

    Quem melhor que um adolescente para ajudar a escrever sobre outro da mesma espécie. Somos criaturas complicadas, mas de vez em quando ainda temos umas boas ideias.

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