“Isso não vai dar em nada”,
e não sei se estás a falar
do meu rebento de limoeiro,
se da minha residência literária.
“É porque é de supermercado”,
e a dúvida mantém-se.
“Precisas de um limão da terra”,
acredito,
mas gosto do meu rebento
que fui eu que
germinei,
plantei e
cuidei
todos os dias.
Talvez nunca chegue a dar limões,
mas é a minha raposa
e eu sou o seu menino de caracóis escuros.
Um limão de supermercado,
para um urbano empacotado.
Estamos bem um para o outro.

