Ainda hoje me apaixono por ti.
Por cima da tua camisa branca vestes um avental negro.
Alça no teu pescoço e ata na tua cintura.
Por baixo, vestes a minha imaginação.
Ainda falta temperar a salada, refilas.
Por cima da mistura, vertes um fio de azeite.
Ligeiramente picante num fim de boca amargo.
Por baixo, não vestes nada. Imagino.
Ainda falta um último toque, explicas.
Quando eu quero é que me toques.
Por cima da salada, acrescentas mirtilos.
Que desaparecem para o fundo da taça.
No fundo, são mirtilos portugueses.
No fundo, gostava de te despir.
Por baixo, chega-nos a música dos vizinhos.
Por cima, ouve-se o cão da porteira.
É a rúcula, o azeite e o apartamento.
Amargos no fim de boca.
Por baixo da taça, ficam as minhas mãos.
Por cima da mesa, deito-me. Imagino.
Ainda não me deixas roubar-te um mirtilo.
Por isso roubo-te um beijo.
E quando fechas os olhos para o receber, roubo-te um mirtilo.
Ris-te e eu sei que tu estás a pensar no mesmo que eu.

Os mirtilos são afrodisíacos
bjs
Avó
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