Bem-vindo à sala de Atos,
um lugar onde podes ser
É um convite a que te sentes, sintas e desates
Sim, vais-te perder.
Habitamos o outro lado da cortina
Onde todos torcemos por ti
Gostamos de te agitar a alma
Deixá-la falar por si.
Aqui,
Podes partilhar sem te editares
Chorar sem te controlares
Esconder-te sem te encontrares
E quando a tua alma estiver aquecida
Abriremos a cortina e estarás no palco
Preparado, ou não, para o próximo ato.
Bem-vindo à paisagem da tua alma
Onde há mãe e há pai,
Há raiva e há tristeza,
Há o velho-eu e a incerteza.
Há estátuas com corpos que são e não são teus.
Há lençóis de abismos e mergulhos-sufismos.
Há mãos a soprar o que não consegues falar.
Agitamos-te a alma com ternura
Caem as folhas secas que já não precisas
E os frutos maduros d’amargura.
E se te permitires entrar no labirinto
Seremos a tua tocha, a tua escolta
O risco na parede que te traz de volta.
Juntos criaremos uma realidade alternativa
Que seja tua. Que te sirva.
No final, despidas dos seus papéis
As almas trocarão presentes
Uma palavra, um gesto, uma emoção
Fragmentos a coser no teu coração
E quando, finalmente, fores para casa
E os panos forem removidos
A sessão estará terminada
E também nós, teremos a alma agitada.
(poema dedicado aos meus terapeutas do grupo de Psicodrama)
