Quando as emoções ameaçam transbordar

Estou sentado numa cadeira recuperada pela minha tia. É laranja, almofadada e com reforço lombar. Não é perfeita, mas é a minha preferida. Os meus dedos percorrem um teclado preto. Têm a sua própria memória. Encontram teclas, que mesmo que eu pense, não sei onde estão. Os meus olhos estão fixos num monitor. Hipnotizados. ComoContinue a ler “Quando as emoções ameaçam transbordar”

Tu és o Sócrates

Um dia regressava a pé do dentista com o meu filho Leonardo, quando ele me disse: Tu és o Sócrates. Fiquei surpreendido. Estar-me-ia a acusar? Talvez se sentisse enganado pelas minhas promessas de pai no dentista: Não vai doer nada. Talvez estivesse zangado com as minhas falhas no pagamento da sua semanada. Mas não, nãoContinue a ler “Tu és o Sócrates”

Papá, já podemos ver desenhos?

Recreio. O Leonardo é ladrão. Numa jigajoga arriscada, tenta escapar-se de um polícia. Cara contra um poste. Cai no chão. O sangue jorra-lhe da boca. A professora toma conta da situação e ordena uma busca geral. O dente desaparecido é encontrado no meio da terra e é prontamente colocado num copo com leite. Por meroContinue a ler “Papá, já podemos ver desenhos?”

O que eu gostaria de ter sabido quando fui pai

Quando ainda não tinha dois anos estive desaparecido durante uma hora na praia. Depois de muito stress e angústia dos meus pais e amigos que me procuravam por todo o lado, fui encontrado longe, dentro de um toldo, a brincar tranquilamente com outra criança. Este episódio que ficou registado para sempre na história da famíliaContinue a ler “O que eu gostaria de ter sabido quando fui pai”

Em luta contra a vibração fantasma

Sento-me numa das cadeiras coloridas da bancada. Lá em baixo a aula de natação do meu filho de oito anos está prestes a começar. Sinto o impulso de agarrar no telemóvel. Resisto. Ao meu lado está um homem, provavelmente um pai. Apresenta a nova postura da evolução humana – pescoço dobrado, olhos fixos num paralalelipípedoContinue a ler “Em luta contra a vibração fantasma”

Um pai a descobrir como lidar com as emoções dos filhos

Lembro-me de estar sentado, à espera, nas urgências do hospital da CUF das Descobertas. Do outro lado da sala estava uma mãe desesperada com o comportamento irrequieto e barulhento do seu filho. No meio do ambiente de doença, a energia viva daquela criança era demais e a mãe sentia a pressão social dos outros pais,Continue a ler “Um pai a descobrir como lidar com as emoções dos filhos”

De que é que me arrependo na vida?

A casa-de-banho sempre foi um espaço de profícua imaginação. Foi sentado numa sanita que eu reescrevi, e consegui finalmente resolver, a peça “Cabo 20” que encerrava a récita do meu 11º ano. Foi no WC do restaurante Vivaldo’s, e não na sua fantástica esplanada com vista para o mar, que eu me lembrei do enredoContinue a ler “De que é que me arrependo na vida?”

Porque tive vergonha

A peça Ricardo III no Teatro Nacional D.Maria II ficará para sempre na minha memória, tanto pela força arrebatadora das imagens cénicas, como pela agressão à qual sujeitei o meu corpo. Comprámos os bilhetes com antecedência. Depois de consultarmos os especialistas, escolhemos os lugares centrais da primeira fila do primeiro balcão. Assim que a assistenteContinue a ler “Porque tive vergonha”

A coisa incognoscível

Quando eu tinha treze anos, durante a confissão, um padre perguntou-me se eu já me tinha masturbado. Bastante desconcertado, acabei por confessar que sim. Eu tinha treze anos, claro que já me tinha masturbado! Levei como penitência ter de rezar já-não-sei-quantos Pai Nosso. Na altura, fiquei bastante revoltado e envergonhado com este episódio. Aquela perguntaContinue a ler “A coisa incognoscível”