Trezentos e oitenta e três quilómetros,
um piquenique e
quatro paragens para xixi.
Recebe-nos a Sra. Graça,
mulher de Tormes,
reformada,
despachada,
pele acostumada às intempéries,
oposta à minha
pele de princesa de escritório.
A casa é de pedra,
do tempo em que ninguém pensava em acessibilidade.
Apesar do céu limpo e sol radiante,
o interior é escuro,
iluminado por pequenas janelas.
Vejo o vale do Douro,
verde,
escadeado,
a pedir que o conheça.
A cama range – certificado de genuinidade.
Instalo os limoeiros debaixo de um telheiro.
Rego-os,
falo-lhes da sua nova casa,
da nossa nova casa.
Espero que não desenvolvam
Stress Pós Traumático.
Mais à frente,
a casa onde viveu o Eça,
brinda-nos com paredes de hera.
Eu fico cheio de vontade de
entrar
sentar-me e
escrever.
Amanhã.
Hoje ainda estou a chegar.

