11. Pinhas

— Mas fez alguma promessa? — pergunta-me o pescador, ao mesmo tempo que passa um guarda-chuva ao seu colega.

Estamos na margem do Douro, junto da Estação de Aregos e eu acabei de lhe dizer que ainda tenho uma hora e meia de caminho a subir.

— É o Caminho de Jacinto — digo, pensando que basta o nome para explicar tudo.

— Mas há lá algum santo? — insiste; as primeiras pingas já começaram a cair.

— Não. É a Fundação Eça de Queiroz. Estou lá alojado.

— Ah… — o colega levanta os ombros e eu percebo que não nos entendemos.

É só a minha alma que precisa de caminhar na natureza, quero dizer, mas não digo. Já me estou a afastar. A chuva começou a cair e o meu chapéu japonês lá vai aguentando as primeiras águas.

A subida é dura. Felizmente tenho os meus bastões de caminhada que já têm a rodagem de três caminhos de Santiago. A meio, depois de passar por uma senhora que aproveita as horas livres de domingo para plantar legumes, passo o único troço de alcatrão e começo a subir uma vereda empedrada. Vou de olhos no chão que a subida é íngreme e descubro uma pinha que me faz parar mesmo debaixo de chuva.

Sou inundado de memórias de férias passadas na Casa de Ronfe, a menos de quarenta quilómetros daqui. A pinha no chão é igual às que caem de um cedro junto à piscina. Usei uma para criar o anel de noivado com que pedi a Carla em casamento no parque de campismo da Urzelina em São Jorge. E eu que nunca me tinha deparado com outra árvore igual — ali estava uma, com as suas pinhas em forma de rosa.

Trago três comigo para me fazerem companhia.

3 pinhas em forma de botão de rosa

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