24. Finais

Nunca me tinha acontecido.

Estou a escrever as últimas linhas do clímax e começam a brotar lágrimas dos meus olhos. E eu não sou de lágrima fácil. Tive um treino de contenção emocional durante oito anos no Colégio Militar. No meu dia a dia, o choro converte-se numa leve pressão na ponta do nariz que o meu inconsciente trata de dissipar.

Surpreendido deixo-me ficar com as lágrimas. Espreito-as com outros que não os meus olhos. Não, não é a emoção de estar a metros da primeira meta: o fim do romance. É algo mais íntimo. Um diálogo entre o meu coração e o do Duarte, a minha personagem principal. Partes de mim, reunidas à volta de uma fogueira, emocionadas com o que se está a viver no mundo da imaginação.

Não paro. Deixo as lágrimas e as palavras rolar. Não vou correr. Não vou almoçar na cozinha da fundação. Só saio de casa já são seis da tarde. Perdi a noção do tempo. Os riachos começaram a confluir e eu deixei o barco ser levado pela corrente até desaguar numa albufeira (lugar onde termina a história).

Já não tenho ninguém com quem celebrar por isso vou até ao Pena Curva comer uns raviolis incríveis feitos com uma mão de Piemonte. O restaurante ainda está vazio e fico à conversa com o Fernando. Boa gente e boa comida.

E agora ficava mesmo bem aqui uma foto dos raviolis do Pena Curva, não ficava? É que são tão saborosos quanto vistosos. Mas estava tão embargado que nem me lembrei de os fotografar. Para compensar deixo uma foto do mango sticky rice que cozinhei hoje para os meus queridos vizinhos Graça e Maurício que me convidaram a almoçar em sua casa. Almoçar sozinho ao domingo é que não.

Ah. E por falar em finais. O Sporting sagrou-se campeão nacional de basquetebol feminino Sub18. É o terceiro título nacional que estas miúdas incríveis ganham. E em jeito de celebração de pai orgulhoso desta atleta que não desiste (a minha filha Sofia é a número 14), este artigo tem direito a uma fotografia extra.

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