Instalado

Granola, champô, lenços de papel e canetas, comprados no mercado Portela do Gôve. Artigos da lista que preparei com empenho, dias antes de partir. Artigos que não trouxe porque me esqueci de olhar para a lista antes de partir. Clássico, Rodrigo.

Trouxe a cadeira onde me sento para trabalhar há pelo menos dezoito anos. Tem a forma do meu rabo, conhece a minha lombar – é escritório.

No canto da mesa, coloquei a moldura que os meus filhos imprimiram em 3D e me ofereceram antes de sair de Lisboa (passei um mês, com o meu filho Leonardo, ombro com ombro, a reparar a nossa impressora 3D porque tive a infeliz ideia de imprimir um modelo preparado para um nozzle de 0.4mm e nós estávamos a utilizar um nozzle de 0.2mm – cenas geek de pai e filhos). No centro da moldura, estamos os quatro sorridentes, deslumbrados com a Ilha das Flores – é casa.

Ao lado do portátil tenho o meu caderno de notas Emílio Braga. Já vai a meio, repleto de ideias para o romance e outros contos. Comecei há pouco uma rúbrica chamada Coisas em que Acredito. Um dia destes cochicho-a desde Tormes.

Por último, o meu maravilhoso monitor de vinte e sete polegadas onde as minhas palavras fluem num fundo preto imperturbável aos cantos de sereia da modernidade.

Estou instalado.

Deixe um comentário