E se nesta parte fizéssemos um rap? pergunta-me o meu querido amigo Leonardo, e eu rio-me porque já sei o que aí vem. Estamos na sua sala a ensaiar um monólogo para a Gala dos 35 anos da Candeia. Espera-nos um palco com uma audiência de seiscentas pessoas, mas é como se estivéssemos a prepararContinue a ler “Um palco, uma floresta”
Author Archives: Rodrigo
A pinha
Assim que saio de casa, espreito por entre as folhas. Está ali! A avó Estrela brilha, como sempre, na ponta da cauda da ursa bebé. Hmmm. Dá-me coragem, a minha avó Estrela. Quando há nuvens no céu, eu não saio de casa. Fico escondido na minha árvore. Mas hoje não é uma dessas noites. HojeContinue a ler “A pinha”
A Fénix e o Unicórnio
Chegar a casa. Abraçar a família. Dormir na sua cama. Coisas simples, mas tão distantes para Ulisses. Assim começa o texto em que trabalhei durante o último ano, a convite da Imprensa Nacional-Casa da Moeda. O desafio parecia simples: Rodrigo, inspira-te na coleção de moedas comemorativas da mitologia da INCM e escreve um texto paraContinue a ler “A Fénix e o Unicórnio”
Medo de ser maior
Uma curva
Uma fuga circular
O cume de um buraco
O medo de ser maior
Os agitadores de almas
Bem-vindo à sala de Atos,um lugar onde podes serÉ um convite a que te sentes, sintas e desatesSim, vais-te perder. Habitamos o outro lado da cortinaOnde todos torcemos por tiGostamos de te agitar a almaDeixá-la falar por si. Aqui,Podes partilhar sem te editaresChorar sem te controlaresEsconder-te sem te encontrares E quando a tua alma estiverContinue a ler “Os agitadores de almas”
Mirtilos
Ainda hoje me apaixono por ti.Por cima da tua camisa branca vestes um avental negro.Alça no teu pescoço e ata na tua cintura.Por baixo, vestes a minha imaginação. Ainda falta temperar a salada, refilas.Por cima da mistura, vertes um fio de azeite.Ligeiramente picante num fim de boca amargo.Por baixo, não vestes nada. Imagino. Ainda faltaContinue a ler “Mirtilos”
Veloso
“Sou imortal até prova em contrário”, afirmaste. Os teus olhos negros sorriam como quem sabe um segredo.“Como assim? Não é essa a única certeza na vida, de que um dia todos morreremos?”“Estou-te a dizer, sou imortal até prova em contrário.”Sorri de volta como se fosse uma piada entre cúmplices que eu não estava a atingir.Continue a ler “Veloso”
Dia 6 – Boa Vida
Herbón – Santiago de Compostela, 20 km A vontade de ficar em Herbón leva-nos a atrasar a partida. Estamos a viver o misto de querermos chegar ao fim, mas não querermos que o caminho termine. Olhamos para trás e temos a sensação de que os dias passaram a caminhar, saborosos, cheios de novidade. Quão diferenteContinue a ler “Dia 6 – Boa Vida”
Dia 5 – Um copo de experiência e outro de sorte
Caldas de Rei – Herbón, 21 km Esta vai ser a manhã mais difícil de todas. Estamos determinados a passar a noite em Herbón e o receio de não conseguirmos ter vaga vai impor-nos um stress que ainda não tínhamos sentido. Várias pessoas contaram-nos que Herbón é um lugar especial, onde se vive o melhorContinue a ler “Dia 5 – Um copo de experiência e outro de sorte”
Dia 4 – Zero bolhas
Pontevedra – Caldas de Reis, 23 km Começamos a caminhar às sete da manhã e ainda está escuro. Já nos habituámos a arrancar de noite. Sabe bem. Está mais fresco, há silêncio e podemos deliciar-nos com o nascer do Sol. Estamos recuperados, a noite no apartamento mais a massagem fizeram milagres. Ainda assim, os meusContinue a ler “Dia 4 – Zero bolhas”
