Qual é o sentido da vida?

Assim que a minha filha fica entregue na escola, o meu coração acelera ligeiramente. A alteração é tão subtil que os outros pais e crianças que me rodeiam não têm forma de perceber a ligeira excitação que se apodera do meu corpo. Tal como um cão de Pavlov, o corpo antecipa o momento que seContinue a ler “Qual é o sentido da vida?”

Um ano sem açúcar

Há um ano atrás, a meio do jantar da passagem de ano, dei por mim a declarar uma ideia ousada que andava a congeminar dentro de mim há algum tempo. Iria passar um ano sem comer açúcar adicionado. Entenda-se, não iria comer nada no qual tivesse sido adicionado açúcar, fosse de cana, de coco, fossemContinue a ler “Um ano sem açúcar”

Parar de me sentir em falta

Há mais de um mês que não publico nada no blog e tenho dado por mim a pensar: será que alguém sente falta? Logo em seguida surge uma caótica miríade de pensamentos: o que é que interessa às pessoas se eu escrevo ou não? estou a escrever isto porque quero que tenham pena de mim,Continue a ler “Parar de me sentir em falta”

Papá, tu és um hacker noob!

“Papá, tu és um hacker noob!”, disse o Leonardo depois de me ter visto na rua agarrado a um telemóvel, sem me aperceber que ele e a sua turma estavam a passar à minha frente de camioneta. Ele e um amigo estavam a dar alcunhas aos adultos por quem passavam. A maioria foi apelidada deContinue a ler “Papá, tu és um hacker noob!”

Para que os meus filhos possam ocupar espaço

Tenho doze anos e à minha frente estende-se um longo átrio. Há janelas grandes à direita e à esquerda, por onde a luz do sol entra timidamente. O meu destino fica do outro lado, mais de cem mosaicos quadrados brancos de distância. Estou sozinho. Sinto frio na barriga. Encho-me de coragem. Dou os primeiros passosContinue a ler “Para que os meus filhos possam ocupar espaço”

É como dar uma feijoada a um bebé

“Papá, quando é que eu tenho um telemóvel?” A pergunta começou aos oito anos e era inevitável. Rodeado de crianças com telemóveis nos recreios, crianças com telemóveis à mesa e até com telemóveis enquanto andam atrás dos pais na rua, o Leonardo começou a ansiar por aquele paralelepípedo mágico que enfeitiça os adultos. Tal comoContinue a ler “É como dar uma feijoada a um bebé”

Queixar-me ou não me queixar

Metade da turma está, mas não está. Portáteis abertos, conversas para o lado e olhares vazios. É como se eu não estivesse realmente presente, como se fosse um holograma emissor de informação com o qual não se têm de relacionar. Estarão ali apenas para não ter falta? Ganho coragem e explico-lhes um dos meus princípiosContinue a ler “Queixar-me ou não me queixar”

Os teus olhos são tristes

Os teus olhos são tristes, disseram-me um dia. Ah! Como a minha mente cognitiva desejou rejeitar essa acusação. Colocá-la no lixo da memória, onde milhares de conversas vagueiam perdidas para sempre. Eu só conhecia as minhas rugas de alegria, os rasgos radiantes na pele em torno dos meus olhos, e por mim estava bem assim.Continue a ler “Os teus olhos são tristes”

Quando as emoções ameaçam transbordar

Estou sentado numa cadeira recuperada pela minha tia. É laranja, almofadada e com reforço lombar. Não é perfeita, mas é a minha preferida. Os meus dedos percorrem um teclado preto. Têm a sua própria memória. Encontram teclas, que mesmo que eu pense, não sei onde estão. Os meus olhos estão fixos num monitor. Hipnotizados. ComoContinue a ler “Quando as emoções ameaçam transbordar”

Brincar não é infantil, é inteligente

Papá, queres brincar aos “Pais e Filhos”? – perguntou-me a Sofia um dia quando acabou os trabalhos de casa. “Pais e Filhos”, a brincadeira clássica em que temos a oportunidade de experimentar os outros papéis dentro da família. Não me apetecia nada e disse-lho. Surpreendentemente ela foi-se embora tranquilamente. Era assim tão natural não meContinue a ler “Brincar não é infantil, é inteligente”