1. Chegar

Trezentos e oitenta e três quilómetros, um piquenique equatro paragens para xixi. Recebe-nos a Sra. Graça,mulher de Tormes,reformada,despachada,pele acostumada às intempéries,oposta à minhapele de princesa de escritório. A casa é de pedra,do tempo em que ninguém pensava em acessibilidade.Apesar do céu limpo e sol radiante,o interior é escuro,iluminado por pequenas janelas.Vejo o vale do Douro,verde,escadeado,aContinue a ler “1. Chegar”

Um palco, uma floresta

E se nesta parte fizéssemos um rap? pergunta-me o meu querido amigo Leonardo, e eu rio-me porque já sei o que aí vem. Estamos na sua sala a ensaiar um monólogo para a Gala dos 35 anos da Candeia. Espera-nos um palco com uma audiência de seiscentas pessoas, mas é como se estivéssemos a prepararContinue a ler “Um palco, uma floresta”

A Fénix e o Unicórnio

Chegar a casa. Abraçar a família. Dormir na sua cama. Coisas simples, mas tão distantes para Ulisses. Assim começa o texto em que trabalhei durante o último ano, a convite da Imprensa Nacional-Casa da Moeda. O desafio parecia simples: Rodrigo, inspira-te na coleção de moedas comemorativas da mitologia da INCM e escreve um texto paraContinue a ler “A Fénix e o Unicórnio”

Os agitadores de almas

Bem-vindo à sala de Atos,um lugar onde podes serÉ um convite a que te sentes, sintas e desatesSim, vais-te perder. Habitamos o outro lado da cortinaOnde todos torcemos por tiGostamos de te agitar a almaDeixá-la falar por si. Aqui,Podes partilhar sem te editaresChorar sem te controlaresEsconder-te sem te encontrares E quando a tua alma estiverContinue a ler “Os agitadores de almas”

Mirtilos

Ainda hoje me apaixono por ti.Por cima da tua camisa branca vestes um avental negro.Alça no teu pescoço e ata na tua cintura.Por baixo, vestes a minha imaginação. Ainda falta temperar a salada, refilas.Por cima da mistura, vertes um fio de azeite.Ligeiramente picante num fim de boca amargo.Por baixo, não vestes nada. Imagino. Ainda faltaContinue a ler “Mirtilos”