Granola, champô, lenços de papel e canetas, comprados no mercado Portela do Gôve. Artigos da lista que preparei com empenho, dias antes de partir. Artigos que não trouxe porque me esqueci de olhar para a lista antes de partir. Clássico, Rodrigo. Trouxe a cadeira onde me sento para trabalhar há pelo menos dezoito anos. TemContinue a ler “2. Instalado”
Author Archives: Rodrigo
1. Chegar
Trezentos e oitenta e três quilómetros, um piquenique equatro paragens para xixi. Recebe-nos a Sra. Graça,mulher de Tormes,reformada,despachada,pele acostumada às intempéries,oposta à minhapele de princesa de escritório. A casa é de pedra,do tempo em que ninguém pensava em acessibilidade.Apesar do céu limpo e sol radiante,o interior é escuro,iluminado por pequenas janelas.Vejo o vale do Douro,verde,escadeado,aContinue a ler “1. Chegar”
0. Cochichos de Tormes
Metade de mim é entusiasmo e a outra metade é medo. Estou prestes a partir para uma aventura como nunca vivi. De 1 a 31 de maio, vou ficar parado no mesmo lugar, longe da minha família, dedicado a uma só coisa: escrever. Quando paro para me sentir, descubro que metade de mim é entusiasmoContinue a ler “0. Cochichos de Tormes”
Um palco, uma floresta
E se nesta parte fizéssemos um rap? pergunta-me o meu querido amigo Leonardo, e eu rio-me porque já sei o que aí vem. Estamos na sua sala a ensaiar um monólogo para a Gala dos 35 anos da Candeia. Espera-nos um palco com uma audiência de seiscentas pessoas, mas é como se estivéssemos a prepararContinue a ler “Um palco, uma floresta”
A pinha
Assim que saio de casa, espreito por entre as folhas. Está ali! A avó Estrela brilha, como sempre, na ponta da cauda da ursa bebé. Hmmm. Dá-me coragem, a minha avó Estrela. Quando há nuvens no céu, eu não saio de casa. Fico escondido na minha árvore. Mas hoje não é uma dessas noites. HojeContinue a ler “A pinha”
A Fénix e o Unicórnio
Chegar a casa. Abraçar a família. Dormir na sua cama. Coisas simples, mas tão distantes para Ulisses. Assim começa o texto em que trabalhei durante o último ano, a convite da Imprensa Nacional-Casa da Moeda. O desafio parecia simples: Rodrigo, inspira-te na coleção de moedas comemorativas da mitologia da INCM e escreve um texto paraContinue a ler “A Fénix e o Unicórnio”
Medo de ser maior
Uma curva
Uma fuga circular
O cume de um buraco
O medo de ser maior
Os agitadores de almas
Bem-vindo à sala de Atos,um lugar onde podes serÉ um convite a que te sentes, sintas e desatesSim, vais-te perder. Habitamos o outro lado da cortinaOnde todos torcemos por tiGostamos de te agitar a almaDeixá-la falar por si. Aqui,Podes partilhar sem te editaresChorar sem te controlaresEsconder-te sem te encontrares E quando a tua alma estiverContinue a ler “Os agitadores de almas”
Mirtilos
Ainda hoje me apaixono por ti.Por cima da tua camisa branca vestes um avental negro.Alça no teu pescoço e ata na tua cintura.Por baixo, vestes a minha imaginação. Ainda falta temperar a salada, refilas.Por cima da mistura, vertes um fio de azeite.Ligeiramente picante num fim de boca amargo.Por baixo, não vestes nada. Imagino. Ainda faltaContinue a ler “Mirtilos”
Veloso
“Sou imortal até prova em contrário”, afirmaste. Os teus olhos negros sorriam como quem sabe um segredo.“Como assim? Não é essa a única certeza na vida, de que um dia todos morreremos?”“Estou-te a dizer, sou imortal até prova em contrário.”Sorri de volta como se fosse uma piada entre cúmplices que eu não estava a atingir.Continue a ler “Veloso”
