Os teus olhos são tristes

Os teus olhos são tristes, disseram-me um dia. Ah! Como a minha mente cognitiva desejou rejeitar essa acusação. Colocá-la no lixo da memória, onde milhares de conversas vagueiam perdidas para sempre. Eu só conhecia as minhas rugas de alegria, os rasgos radiantes na pele em torno dos meus olhos, e por mim estava bem assim.Continue a ler “Os teus olhos são tristes”

Quando as emoções ameaçam transbordar

Estou sentado numa cadeira recuperada pela minha tia. É laranja, almofadada e com reforço lombar. Não é perfeita, mas é a minha preferida. Os meus dedos percorrem um teclado preto. Têm a sua própria memória. Encontram teclas, que mesmo que eu pense, não sei onde estão. Os meus olhos estão fixos num monitor. Hipnotizados. ComoContinue a ler “Quando as emoções ameaçam transbordar”

Brincar não é infantil, é inteligente

Papá, queres brincar aos “Pais e Filhos”? – perguntou-me a Sofia um dia quando acabou os trabalhos de casa. “Pais e Filhos”, a brincadeira clássica em que temos a oportunidade de experimentar os outros papéis dentro da família. Não me apetecia nada e disse-lho. Surpreendentemente ela foi-se embora tranquilamente. Era assim tão natural não meContinue a ler “Brincar não é infantil, é inteligente”

Todos estamos a travar uma batalha

Quantas mais pessoas conheço, quantos mais países visito, quantas mais histórias ouço, mais se torna claro que todos estamos a travar uma batalha interna. Todos. Às vezes conscientes da nossa, mesmo que não a compreendamos. Quase sempre sem noção das batalhas dos outros. Todos somos humanos. O Papa, o Dalai Lama e eu. Como teContinue a ler “Todos estamos a travar uma batalha”

Experimentar a adolescência no próprio cabelo

Trinta e seis anos depois a minha família descobriu que eu tenho caracóis. Eu sabia que o meu cabelo não era liso – passei a vida a rapar o cabelo endemoninhado que tanto atrapalhava a manutenção de um ar socialmente apresentável. O que eu não sabia é que ao deixar crescer o cabelo se formariamContinue a ler “Experimentar a adolescência no próprio cabelo”

O que realmente importa – breve crónica natalícia

Está quase tudo pronto para o jantar de Natal. A mesa das crianças com nove lugares foi improvisada na sala. Em cima repousa uma casa de gengibre montada a oito mãos, entre gargalhadas e glacê espalhado pelas caras das minhas sobrinhas. As paredes revestidas de gomas ameaçam ruir a qualquer momento, ao ponto de alguémContinue a ler “O que realmente importa – breve crónica natalícia”

Em luta contra a vibração fantasma

Sento-me numa das cadeiras coloridas da bancada. Lá em baixo a aula de natação do meu filho de oito anos está prestes a começar. Sinto o impulso de agarrar no telemóvel. Resisto. Ao meu lado está um homem, provavelmente um pai. Apresenta a nova postura da evolução humana – pescoço dobrado, olhos fixos num paralalelipípedoContinue a ler “Em luta contra a vibração fantasma”

Alguma vez te sentiste no caminho errado?

Alguma vez te sentiste no caminho errado? Com a sensação desesperante de que a única solução seria voltar tudo atrás e recomeçar? Foi assim que me senti quando terminei a licenciatura. Estava completamente perdido. Tinha passado os últimos cinco anos a confiar no cruise control que me levaria seguro até uma terra de sucesso. SecretamenteContinue a ler “Alguma vez te sentiste no caminho errado?”

Gengibre, cócegas e lóbulos de orelha

O coração marca o ritmo numa nota grave, profunda. A coluna harpeia. A pélvis badala. O diafragma expande e retrai como um fole. Os lábios abrem-se. Os olhos cerram-se. O corpo é uma orquestra numa progressão de acordes a caminho do suspense. Um crescendo que parece não acabar. Então uma última nota fica suspensa. ÉContinue a ler “Gengibre, cócegas e lóbulos de orelha”