Um abraço mosqueteiro

O Telmo é um dos meus camaradas do Colégio Militar. Nós não temos muito em comum. Não partilhamos dos mesmos interesses. Não passamos férias nos mesmos sítios. Não saímos juntos à noite. Nunca tivemos uma conversa íntima sobre a vida do outro. Ele tem acesso a canais de televisão em casa e eu não. EntãoContinue a ler “Um abraço mosqueteiro”

Sim, é de minha livre vontade

Há quase 10 anos atrás, a Carla desceu 350 metros de slide, vestida de noiva, para se juntar a mim, ao som de Oh, Pretty Woman. Eu, esperava-a, deslumbrado e nervoso. Parte de mim estava ocupado a tentar controlar os acontecimentos para garantir que tudo naquela festa corria bem. Essa parte foi surpreendida quando estaContinue a ler “Sim, é de minha livre vontade”

Porque tive vergonha

A peça Ricardo III no Teatro Nacional D.Maria II ficará para sempre na minha memória, tanto pela força arrebatadora das imagens cénicas, como pela agressão à qual sujeitei o meu corpo. Comprámos os bilhetes com antecedência. Depois de consultarmos os especialistas, escolhemos os lugares centrais da primeira fila do primeiro balcão. Assim que a assistenteContinue a ler “Porque tive vergonha”

Deixem-nos chorar

Dama branca para e2, cheque ao Rei (De2+). As pretas fazem roque menor (o-o). O adversário levanta o braço. Falta técnica. O Leonardo sem perceber porquê tinha acabado de perder o jogo que lhe daria acesso ao pódio do campeonato nacional de jovens de partidas semi-rápidas. Arrumou as peças no tabuleiro. Levantou-se. Todo o seuContinue a ler “Deixem-nos chorar”

O barulho do vento no trigo

Quando fiz trinta e cinco anos, a Carla ofereceu-me talvez a melhor prenda de sempre. Um boião de vidro cheio de mensagens escritas pelas pessoas que gostam de mim. O boião tem uma regra: só posso tirar um papel por dia. Este pormenor é delicioso e bastante frustrante. Por causa deste limite, as minha manhãsContinue a ler “O barulho do vento no trigo”

Por detrás da máscara

Num período de quatro anos estive quatro vezes em tribunal para dar o mesmo testemunho sobre o mesmo caso. A primeira vez que entrei na sala de audiência senti-me intimidado. Não fazia a mínima ideia do que ia acontecer. Ninguém me explicou o que era suposto fazer e todos os que interagiram comigo foram formaisContinue a ler “Por detrás da máscara”