A peça Ricardo III no Teatro Nacional D.Maria II ficará para sempre na minha memória, tanto pela força arrebatadora das imagens cénicas, como pela agressão à qual sujeitei o meu corpo. Comprámos os bilhetes com antecedência. Depois de consultarmos os especialistas, escolhemos os lugares centrais da primeira fila do primeiro balcão. Assim que a assistenteContinue a ler “Porque tive vergonha”
Author Archives: Rodrigo
A coisa incognoscível
Quando eu tinha treze anos, durante a confissão, um padre perguntou-me se eu já me tinha masturbado. Bastante desconcertado, acabei por confessar que sim. Eu tinha treze anos, claro que já me tinha masturbado! Levei como penitência ter de rezar já-não-sei-quantos Pai Nosso. Na altura, fiquei bastante revoltado e envergonhado com este episódio. Aquela perguntaContinue a ler “A coisa incognoscível”
E tu, aceitas-te?
Um dia comecei a chorar compulsivamente sem perceber porquê. Sentia-me tão triste que só me foi possível esconder enrolado na cama. Durante o meu casamento senti-me tão eufórico, que tive delírios de grandiosidade sobre como aquele momento iria mudar a vida dos convidados…
O ouro que se esconde nas gavetas empoeiradas
Alguma vez tiveste a certeza de que em termos de identidade e valores pessoais já não havia nada de novo para ti na vida? Uma certeza que quando posta em causa por outras pessoas utiliza o famoso argumento: Eu sou assim e pronto. Acho que a primeira vez que vivi essa crença tinha dezassete anosContinue a ler “O ouro que se esconde nas gavetas empoeiradas”
3 exercícios para limpares o pó ao coração neste Natal
Em minha casa os presentes sempre se abriram na manhã de 25 de dezembro. Não me lembro do que vinha dentro dos embrulhos. Lembro-me de acordar super excitado, entrar pelos quartos adentro e arrancar os meus pais, a minha irmã e o meu irmão (dez e oito anos mais velhos) da cama. Eles vinham deContinue a ler “3 exercícios para limpares o pó ao coração neste Natal”
Deixem-nos chorar
Dama branca para e2, cheque ao Rei (De2+). As pretas fazem roque menor (o-o). O adversário levanta o braço. Falta técnica. O Leonardo sem perceber porquê tinha acabado de perder o jogo que lhe daria acesso ao pódio do campeonato nacional de jovens de partidas semi-rápidas. Arrumou as peças no tabuleiro. Levantou-se. Todo o seuContinue a ler “Deixem-nos chorar”
O barulho do vento no trigo
Quando fiz trinta e cinco anos, a Carla ofereceu-me talvez a melhor prenda de sempre. Um boião de vidro cheio de mensagens escritas pelas pessoas que gostam de mim. O boião tem uma regra: só posso tirar um papel por dia. Este pormenor é delicioso e bastante frustrante. Por causa deste limite, as minha manhãsContinue a ler “O barulho do vento no trigo”
Pele com pele
O Leonardo não tinha pressa em nascer. Passavam-se quarenta semanas e quatro dias, quando a obstetra decidiu induzir o parto. Depois de a Carla estar deitada numa cama da maternidade e de a oxitocina correr pelas suas veias, esperámos dezassete horas para o ver surgir. Nasceu de madrugada, às duas horas e trinta, com oContinue a ler “Pele com pele”
A primeira aventura
Em janeiro de 2002, ao mesmo tempo que as primeiras moedas do euro começavam a circular, eu parti para Bolonha em Itália. Foi uma oportunidade única para explorar partes de mim, que eu não me permitia por medo de como isso poderia afetar a imagem que eu tinha construído ao longo de tanto tempo. PelaContinue a ler “A primeira aventura”
Por detrás da máscara
Num período de quatro anos estive quatro vezes em tribunal para dar o mesmo testemunho sobre o mesmo caso. A primeira vez que entrei na sala de audiência senti-me intimidado. Não fazia a mínima ideia do que ia acontecer. Ninguém me explicou o que era suposto fazer e todos os que interagiram comigo foram formaisContinue a ler “Por detrás da máscara”
