“Papá, quando é que eu tenho um telemóvel?” A pergunta começou aos oito anos e era inevitável. Rodeado de crianças com telemóveis nos recreios, crianças com telemóveis à mesa e até com telemóveis enquanto andam atrás dos pais na rua, o Leonardo começou a ansiar por aquele paralelepípedo mágico que enfeitiça os adultos. Tal comoContinue a ler “É como dar uma feijoada a um bebé”
Author Archives: Rodrigo
Queixar-me ou não me queixar
Metade da turma está, mas não está. Portáteis abertos, conversas para o lado e olhares vazios. É como se eu não estivesse realmente presente, como se fosse um holograma emissor de informação com o qual não se têm de relacionar. Estarão ali apenas para não ter falta? Ganho coragem e explico-lhes um dos meus princípiosContinue a ler “Queixar-me ou não me queixar”
Os teus olhos são tristes
Os teus olhos são tristes, disseram-me um dia. Ah! Como a minha mente cognitiva desejou rejeitar essa acusação. Colocá-la no lixo da memória, onde milhares de conversas vagueiam perdidas para sempre. Eu só conhecia as minhas rugas de alegria, os rasgos radiantes na pele em torno dos meus olhos, e por mim estava bem assim.Continue a ler “Os teus olhos são tristes”
Quando as emoções ameaçam transbordar
Estou sentado numa cadeira recuperada pela minha tia. É laranja, almofadada e com reforço lombar. Não é perfeita, mas é a minha preferida. Os meus dedos percorrem um teclado preto. Têm a sua própria memória. Encontram teclas, que mesmo que eu pense, não sei onde estão. Os meus olhos estão fixos num monitor. Hipnotizados. ComoContinue a ler “Quando as emoções ameaçam transbordar”
Brincar não é infantil, é inteligente
Papá, queres brincar aos “Pais e Filhos”? – perguntou-me a Sofia um dia quando acabou os trabalhos de casa. “Pais e Filhos”, a brincadeira clássica em que temos a oportunidade de experimentar os outros papéis dentro da família. Não me apetecia nada e disse-lho. Surpreendentemente ela foi-se embora tranquilamente. Era assim tão natural não meContinue a ler “Brincar não é infantil, é inteligente”
Tu és o Sócrates
Um dia regressava a pé do dentista com o meu filho Leonardo, quando ele me disse: Tu és o Sócrates. Fiquei surpreendido. Estar-me-ia a acusar? Talvez se sentisse enganado pelas minhas promessas de pai no dentista: Não vai doer nada. Talvez estivesse zangado com as minhas falhas no pagamento da sua semanada. Mas não, nãoContinue a ler “Tu és o Sócrates”
Todos estamos a travar uma batalha
Quantas mais pessoas conheço, quantos mais países visito, quantas mais histórias ouço, mais se torna claro que todos estamos a travar uma batalha interna. Todos. Às vezes conscientes da nossa, mesmo que não a compreendamos. Quase sempre sem noção das batalhas dos outros. Todos somos humanos. O Papa, o Dalai Lama e eu. Como teContinue a ler “Todos estamos a travar uma batalha”
Elogio ao choro
A notícia chegou como um comboio de alta velocidade. Embateu-me de frente, levou-me o fôlego, o ânimo e a lógica. Bastou um telefonema e o meu mundo virou-se de pernas para o ar. O meu amigo tinha morrido e nunca mais íamos poder conversar. A morte é uma merda Tenho lido muito sobre a morte,Continue a ler “Elogio ao choro”
Obras, por dentro e por fora
Conheces o desconforto das obras? Não encontrar nada. O pó por todo o lado. Não ter água quente. Foram assim os meus últimos tempos. Por fora, e por dentro. Queríamos há algum tempo revolucionar as nossas casas-de-banho. Ganhar espaço para a família. Acabar com a banheira. Ter uma casa-de-banho social forrada a X-Men. Essas coisas,Continue a ler “Obras, por dentro e por fora”
Papá, já podemos ver desenhos?
Recreio. O Leonardo é ladrão. Numa jigajoga arriscada, tenta escapar-se de um polícia. Cara contra um poste. Cai no chão. O sangue jorra-lhe da boca. A professora toma conta da situação e ordena uma busca geral. O dente desaparecido é encontrado no meio da terra e é prontamente colocado num copo com leite. Por meroContinue a ler “Papá, já podemos ver desenhos?”
